VERDUGO E VÍTIMA - Humberto de Campos

Jefferson Severino - 22/07/2015 SC 01571 JP

VERDUGO E VÍTIMA
Humberto de Campos



 
O rio transbordava. Aqui e ali, na crista espumosa da corrente pesada, boiavam animais mortos ou deslizavam toras e ramarias. Vazantes em torno davam expansão ao crescente lençol de massa barrenta. Famílias inteiras abandonavam casebres, sob a chuva, carregando aves espantadiças, quando não estivessem puxando algum cavalo magro.

Quirino, o jovem barqueiro, que vinte e seis anos de sol no sertão haviam enrijado de todo, ruminava plano sinistro. Não longe, em casinhola fortificada, vivia Licurgo, conhecido usurário das redondezas. Todos o sabiam proprietário de pequena fortuna a que montava guarda vigilante. Ninguém, no entanto, poderia avaliar-lhe a extensão, porque, sozinho, envelhecera e, sozinho, atendia às próprias necessidades.

“O velho - dizia Quirino de si para consigo - será atingido na certa. É a primeira vez que surge uma cheia como esta. Agarrado aos próprios haveres, será levado de roldão. E se as águas devem acabar com tudo, por que não me beneficiar? O homem já passou dos setenta. Morrerá a qualquer hora. Se não for hoje, será amanhã, depois de amanhã. E o dinheiro guardado? Não poderia servir para mim, que estou moço e com pleno direito ao futuro?”

O aguaceiro caia sempre, na tarde fria. O rapaz, hesitante, bateu à porta da choupana molhada.

- “Seu” Licurgo! “Seu” Licurgo!

E, ante o rosto assombrado do velhinho que assomara à janela, informou: - “Se o senhor não quer morrer, não demore. Mais um pouco de tempo e as águas chegarão. Todos os vizinhos já se foram.” Não, não... resmungou o proprietário, moro aqui há muitos anos. Tenho confiança em Deus e no rio... Não sairei...

Venho fazer-lhe um favor...

Agradeço, mas eu não sairei.

Tomado de criminoso impulso, o barqueiro empurrou a porta mal fechada e avançou sobre o velho, que procurou em vão reagir.

Não me mate, assassino!

A voz rouquenha, contudo, silenciou nos dedos robustos do jovem.

Quirino largou para um lado o corpo amolecido, como traste inútil, arrebatou pequeno molho de chaves do grande cinto e, em seguida, varejou todos os escaninhos. Gavetas abertas mostravam cédulas mofadas, moedas antigas e diamantes, sobretudo diamantes. Enceguecido de ambição, o moço recolhe quanto acha.

A noite chuvosa descera completa. Quirino toma os despojos da vítima num cobertor e, em minutos breves, o cadáver mergulha no rio. Logo após, volta à casa despovoada, recompõe o ambiente e afasta-se, enfim, carregando a fortuna.

Passado algum tempo, o homicida não vê que uma sombra se lhe esgueira à retaguarda.

É o espírito de Licurgo, que acompanha o tesouro.

Pressionado pelo remorso, Quirino, o jovem barqueiro abandona a região e instala-se em grande cidade, com pequena casa comercial, e casa-se, procurando esquecer o próprio arrependimento, mas recebe o velho Licurgo, reencarnado, por seu primeiro filho.

Humberto de Campos
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Luz no Lar


 

why do wifes cheat men having affairs how to cheat wife
how to cheat on my husband how women cheat why do husband cheat
catch a cheat gerarprieto.com wife cheat story
girlfriend cheated on me i want to cheat on my girlfriend my girlfriend cheated on me what do i do
how to cheat on your wife wives who want to cheat wives who want to cheat
married cheat developerstalk.com women affairs
cheat on wife blog.ivanovtech.com boyfriend cheated on me
what makes husbands cheat wives that cheat I cheated on my wife
why husbands cheat open women cheat
walgreens print photos etaxform2290.com coupons for medication
text spy ps4haber.com sms gizmo tracking
prescription discounts cards volkankarakaya.com free coupon sites
temovate centauricom.com propranolol
dutasteride levitra 10mg ciprofloxacin 250mg
free coupon for viagra read coupon for free viagra
coupons prescriptions sporturfintl.com coupons for prescriptions
claritin uso claritin claritine




« Leia outros artigos