DIA DE DESAPEGO - José Carlos De Lucca

Jefferson Severino - 11/12/2018 SC 01571 JP

DIA DE DESAPEGO
José Carlos De Lucca

 
Gosto muito de uma canção de Lulu Santos chamada Como Uma Onda, que você talvez conheça. A música começa com a seguinte estrofe: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia; tudo passa, tudo sempre passará; a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito. Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo; tudo muda o tempo todo no mundo”. O compositor mostra a impermanência da vida, ou seja, as constantes transformações a que tudo e todos estão sujeitos. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em onda, ou seja, hoje estamos de um jeito, amanhã de outro. Hoje temos saúde, amanhã enfermidade. Hoje moramos numa cidade, amanhã estamos em outro país. Hoje temos o convívio de uma pessoa querida, amanhã ela nos deixará. Hoje temos prestígio social, amanhã estaremos no anonimato. Hoje temos posses, amanhã as finanças estarão em crise. Tudo muda. A vida vem em ondas, horas de mar calmo, períodos de mar agitado.
 
Todavia, nem sempre nos preparamos para as inevitáveis mudanças, temos um sentimento de apego muito forte. Joanna [de Ângelis] nos esclarece que esse apego às pessoas e coisas é o grande responsável por muitos sofrimentos*. O apego representa a ilusão que temos para deter a marcha dos acontecimentos.
 
Para viver sem sofrimento devemos evitar o apego exagerado às pessoas e às coisas. Não é viver indiferente, sem paixão, sem intensidade. É viver sem o sentido de posse. É viver aproveitando cada experiência, cada relacionamento, com se fosse a última vez que você estivesse naquela situação. Se soubesse que hoje seria o último dia de sua vida, como você se comportaria? Ligaria para quem? Declararia seu amor a alguém? Pediria perdão? Perdoaria? Visitaria algum amigo? Abraçaria seu filho, sua esposa, seu marido? Ouviria sua música preferida? Isso é viver cada segundo da sua existência como se fosse a própria eternidade.
 
Lembre-se: você é apenas um passageiro da vida. Sinta-se como uma onda no mar; um dia as areias da praia receberão seus braços. Não se apegue a nada. Nada lhe pertence definitivamente. As pessoas da sua família não são sua propriedade, apenas lhe fazem companhia na grande viagem que fizemos a este planeta. O dinheiro, o poder, o prestígio social, a cultura e a própria beleza são ferramentas que a vida nos emprestou para alcançarmos o desenvolvimento das nossas potencialidades. Você não é o seu carro, a sua empresa, a sua família, a sua religião, o seu país, o seu clube esportivo, os seus títulos acadêmicos. Não somos donos de nada, temos apenas a posse temporária dos bens e o convívio momentâneo das pessoas. Se assim conseguirmos viver, nossa vida ganhará paz e alegria, valorizando cada oportunidade que surgir em nosso caminho, bem como cada pessoa que atravessar o rio da nossa existência. Somos viajantes do Universo, passageiros com a missão de aproveitar as estações da vida, vivendo-as em plenitude, para um dia retornarmos ao país de origem e dizermos da nossa viagem: “Valeu a pena”.
 
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Nada na vida me pertence, sou apenas usuário dos bens.
 
As pessoas são livres, podem seguir seus caminhos.
 
Aceito as mudanças que a vida me traz.
 
Nada espero das pessoas, deixo cada um partir na hora que desejar.
 
José Carlos De Lucca
Do livro: Para o Dia Nascer Feliz




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